Perdoar
Psiu

Perdoar – o nobre ato de seguir em frente

Perdoar alguém pode indicar que é sobre essa pessoa que este ato acontece mas não.

Perdoar é sobre nós mesmos.

Perdoar é sobre quem perdoa e não sobre quem é perdoado(a).

Perdoar é aceitar que algo mau aconteceu e que não há volta atrás.

É compreender que viver na sombra desse erro ou momento, é viver preso(a) a um passado que nos atormenta e nos impede de seguir em frente. Esse momento mau influencia a forma como passamos a ver alguns estímulos, pessoas, o mundo e nós mesmos(as). Influencia a nossa vida a partir dele, condicionando as nossas ações, relações e decisões. Esse momento confluiu numa experiência de vida ligada a um cabo USB num mundo de bluetooth ou, pegando noutra analogia, ir fazer SKY de sapatilhas…

É preciso seguir em frente, ultrapassar esse momento e dar a ti mesmo(a) a possibilidade de receberes emoções positivas novamente.

MAS…perdoar não é um ato fácil. Perdoar é todo um processo.

Há muito apego há dor e sofrimento…pode parecer estranho dizer isto mas de certa forma, viver com este momento cria uma memória tão forte que a pessoa tem medo de se esquecer do mesmo e voltar a passar por algo semelhante. Então, este medo e vontade de evitar o sofrimento que advém de uma possível adversidade, faz com que a pessoa se prenda a este conflito, sofrendo consecutivamente e limitando a sua interação com o meio.

Parece estúpido não é?

Pode parecer sim mas a mente encontra formas de se proteger que por mais ridículas que sejam, funcionam e fazem sentido para quem queria um SIM e obteve um NÃO.

E acredito que todos/as nós já foram traídos/as por alguém. Estou certa? Quando falo em traição, falo em confiarmos em alguém e essa pessoa ter partilhado o que contamos ou ter-nos desiludido. Talvez até simplesmente não ter estado lá quando precisamos.

Mas tudo é sobre ti.

Tudo começa em ti.

Porque confiaste? Porque deste tudo o que tinhas e esperaste algo do outro lado? Porque nunca perguntaste se era isso que a outra pessoa queria? Porque nunca fizeste as perguntas certas? Porque viste o que estava a acontecer mas tiveste medo de agir? Porque te deixaste levar ou porque continuas a permitir que esse momento te afete?

As pessoas que pedem perdão e as que perdoam são mais felizes. Livram-se de fardos e permitem-se a seguir em frente. Aceitam o que lhes aconteceu e compreendem que àquela data, a pessoa em causa ou elas mesmas não tiveram a capacidade de fazer diferente e está tudo bem. Cada um/a dá aquilo que tem para dar no momento…

Na nossa sociedade ainda há uma crença social e cultural de que vingar-se é um ato de coragem, de bravura e quem não o faz é um alvo fácil.

Mas perdoar aproxima-nos do divino.

Perdoar é difícil para caramba!!!

Perdoar implica destruir muros que se construíram para (sobre)viver.

Mas quando o fazes, libertas-te, confias em ti mesmo(a) novamente, permites-te a aceitar o ser humano como ele é: mortal, humano, falível de erro.

Permitiste-te a dares-te a conhecer, a amar novamente e a ser amado(a), abres horizontes e vês novas cores!

Abandonas a facilidade e sofrimento do auto-julgamento e dos porquês sem resposta e que te conduzem a um loop que nada de bom trás a entras no caminho da luz.

O caminho onde é permitido errar.

O caminho da vida.

Para este Natal e sempre que quiseres e precisares, PERDOA.

Escreve uma carta a alguém que te magoou. Pode ser alguém que já partiu. Expõe o teu sofrimento e termina com um final feliz. Há sempre aprendizagem no sofrimento e libertação de dor.

Podes até, escrever a ti mesmo…como se fosses uma entidade distante e perdoares-te pelos erros que assumes ter cometido, por te teres abandonado momentaneamente, por teres desistido de ti ou quiça por te teres envolvido em caminhos de dor e de mágoa…caminhos fáceis mas que se tornaram dolorosos.

Não é o que te fizeram que te define, mas o que fazes com isso e o que transformas.

 

NOTA: Perdoar é um ato terapêutico e segue uma linha de investigação científica. Poderá ser feito durante a intervenção psicológica. Peçam ajuda 🙂

 

A Psicóloga lá de Casa.

 

 

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