• Histórias para Acordar

    Quem não quero ser

    Nesta fase de me (re)descobrir, a tal fase do Entre, tenho tido muitas dúvidas acerca de velhos hábitos, comportamentos e novas formas de viver. Quando tomamos consciência de que alguns comportamentos são formas negativas de gerir emoções, são máscaras, apegos, temos o livre arbítrio de os alterarmos. Ao longo dos últimos anos tenho feito esse exercício contudo, sendo eu uma pessoa tendencialmente ansiosa  que usa frequentemente o controlo como forma de gestão, tenho que estar sempre em alerta para o que, ao tentar controlar quem não quero voltar a ser não coloque rigidez e inflexibilidade em quem quero ser. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Encontrar esse equílibrio…

  • Histórias para Acordar

    A ilusão do esquecimento

    Quando era pequeno, M. estava a jogar à bola no terraço da casa da avó, com o pai. A avó, impaciente pelo barulho do reguila, preocupava-se com a saúde de um vaso ali próximo. Chamou a atenção da criança uma vez: “olha que deitas o vaso abaixo”; duas vezes “se deitas o vaso baixo levas”, três vezes “vais-me estragar o vaso!” Não houve mais vezes porque, perante a persistência da criança em o ser, mantendo o comportamento e ignorando os avisos da anciã – porque para uma criança está sempre tudo controlado – a mesma levanta-se de supetão e deita ela própria o vaso abaixo proferindo – “Vês, eu avisei-te…